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quarta-feira, julho 13, 2011

O filho da terra

"Trabalhar, Trabalhar, deica cegar lhe enxordar"
Uxío Novoneyra

γη έργο
Filho de labregos,
neto também o é.
Um ninguem coma quem diz
Nascido por obra da espécie
maiormente máis evolucionada
para o caminho lento da súa extinçom.

Filho de labregos em París,
Neto também o é em Madrid
Bisneto o há de ser em Londres também.
Um ninguem coma quem diz
mirando a través da eternidade extinta
das geraçons erguendo ribeiras a mao.
Sempre serás, Γεώργιος
Nom se posse deixar de ser que se é. 
E ti quem queres ser?

2 comentários:

O Garcia do Outeiro disse...

Muito grande a composição Georgius, máxime quando como filhos dum rural que morre partilhamos muitas visões e mais ainda como pessoas formadas academicamente e que nos topamos perante um futuro laboral de incerteza após incerteza. Isso sim, afoiteza nunca nos faltará.

Heutor disse...

Incríveis estes teus versos, senhor! Sobretodo por nom ser esta (sendo-o também) apenas a tua história, mas a dumha grande maioria das pessoas agrilhoadas na trela do capitalismo serôdio: quantas pessoas das que hoje estám culturalmente globalizadas provenhem dessas ou doutras ribeiras longe das capitais do mundo? Dizem-nos minoria mas bem pensado, entre filhos, netos e bisnetos de toda a parte somos bem muitos. Um muito forte abraço àquele que é poeta e pessoa honesta, e portanto duas vezes poeta, cumprimentos dalguém que te inveja sem nengum ódio.