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quarta-feira, julho 13, 2011

RAIVA DEFCON-1

Nom sentides manos e manas
Essa raiva’acumulada?
Tenho-a’eu cá entr’as entranhas,
A ferver, mesmo nom pára...
Mas contodo
(Quando’o ouço m’incomodo)
Muita gente diz’agora
Qu’a’injustiça faz a norma
Que de sempre foi o conto
Nem há cámbio que se poida,
Que s’entenda
Por palavras mais singelas:
Bem s’atura tal tragédia
Já nascemos todos nela
Mais sofremo-la sem queixa
E direi-no pola mesma
Sem que seja tam confuso,
Pois no fundo
Há’equilíbrio neste mundo.
Tás maluco?
Todo’é tam escuro’e duro
Como nom acordo nunca,
Isto’é merda, estado puro.
É momento
D’os pomares darem fruto
Mas tá podre de maduro
E nom dá mais pró futuro.
Que’aguardamos?
A que falem nossos amos,
Recebermos seu bom grado
Pra cumprí-lo de contado.
Ainda máu,
É melhor este tirano
Qu’algum outro desgraçado
Qu’há de vir jurar o cargo
Pra correr-nos à pancada.
Traga bílis,
E que baixe da garganta
Como’é uso nos escravos
Ao’acabarem a jornada:
A miséria nem exige
Subcontrataçom,
Tá’isto bom!
Nem me quadra
Este jogo coa baralha
E’a vocês meus camaradas?
Neste jogo quem mais ganha?
Por agora
Ainda temos benefício
Mas s’esgota, polo visto
Fica’apenas sacrifício
Neste mundo qu’herdaremos,
Sejas pobr’ou classe meia
Venceremos
Apesar desses que dizem
Que tá’a cousa muito feia,
Diz que nada poderemos
Ainda que nos lev’o demo.
Que safoda!
Essa classe dirigente,
Psicopata’inteligente
Que nos quer meter o dente,
Olha’os mídia,
Mercenários dos d’arriba
Qu’assassinam com mentiras
Pessoal muito’experiente
Co’argumentos sempre prestes
Pra’encantar os inconscientes
Co’essa língua maldizente
Que nom fala quanto mente.
Tám à vista
Embusteiros muito’austeros
Que nem gente considero
Deles mesmo nada’espero
Que nom seja desespero.
Som dous passos
Os qu’agora mesmo restam
Pra que arda toda’a merda
D’opriminte pestilência
Qu’escaralha’este planeta,
Merda’astracta’amais concreta
Inflamável como’a breia
Qu’amanhám explodirá
Como’à noite de Sam Joám
Pois parece todo calmo
Mas é’anúncio de tormenta.

3 comentários:

O Garcia do Outeiro disse...

Muito sentido e bom poema, ainda que a sua extensão exige uma leitura demorada. Parabéns

Heutor disse...

!!! Nom caíra na extensom! A verdade é que me sobrepassei do habitual, mas à vista disto podo mesmo fazer umha versom sonora. Obrigado, já som um ano mais velho!

Jorge V. disse...

Ia-cho dizer eu irmão, a esta letra acaia-lhe muito bem um rap!

Moi combativa e directa, gostei.

Umha aperta