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segunda-feira, janeiro 03, 2011

Dispensas

Envólve-me o velo tibio da santa noite
e cráva-se-me pouco a pouco em cada um,
finíssimo e débil, fundamental 
a vez que necessário oso...
Algum dia seram menos ainda, mortal,  
seram polvo...

Mais eu nom precisso a persistência,
nom creio correcto arrabunhar...
a madeira,
as sabas, 
a pel,
o vento, 
as bragas...
Non creio que seja necessario
re-di-mir-se.
Viver exime. 


José Benlliure, A barca de Caronte ou Estigia.

3 comentários:

Heutor disse...

Quem melhor que a Negra Sombra para descredibilizar a ideia dumha outra vida para além desta acompanhada de recompensa ou puniçom pola moral practicada aquém da Boa Hora? Qualquer discurso emancipador se fai inerte no momento em que se diz que todo será melhor "na outra vida" e para chegar lá (como nom!) temos de sofrer. Muito legal a composiçom do rapaz de Cima De Vila, abraços desde o Mar de Vigo

Raíz Verde disse...

Por esso nós acreditamos simplesmente na única emancipaçom possível irmão, por que nós já vimos a verdade revelada xD

Abraços!

O Garcia do Outeiro disse...

grande poema Jorge, e a imagem também me parece sensacional.