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segunda-feira, janeiro 31, 2011

Palavras de Pandora


Barqueiro,
Ves a min esta noite
Tocas meu coração
Fas trabalhar minha cabeça
Coma quem visita
Musas do olimpo ou
Deuses inmortais na memória colectiva.

Meu barqueiro,
Ti sempre soio
Neste nosso mar
Que é da terra,
Que é o da nossa olhada
Desde o Faro a Corcubiom,
De Cima de Vila deica Viveiro.
Irmão barqueiro, irmão do mar.
Ti sempre remando neste nosso pranto
Sangue do nosso sangue.
Pam do nosso pam.

Meu irmão Barqueiro,
Na tua noite vou na minha
E miro, cruzeiros do sul,
Num velho desterro.
Levarom a consciência
Mas fica ainda, enterra, a raiz da cepa.

Rema barqueirinho, rema,
Que fica ainda neste noite moito mar.
Vai-lhe dando meu amigo, leva-nos,
Nós não veremos dia
Mas nós faremo-lo chegar.

2 comentários:

O Garcia do Outeiro disse...

Grande lirismo o desta composiçom que remata num final do que particularmente gosto e que me fai lembar aquelas palavras de frei Betto "continuo coma um zigano de deus...". Acho que deverias incorpoar a música de que parte este poema, a inspiraçom bem o merece.

Raíz Verde disse...

Não sei como incorporar-lhe a música, o anterior também parte da mesma inspiraçom.

Umha aperta