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quinta-feira, dezembro 01, 2011

A cela de excel

A minha vida numha cela de excel
ordenada sistematicamente coma o alinhamento celeste
o meu dia por vias de tránsito diferênciadas
com linhas amarelas: perigo, precaçom
via láctea em ourense cara compostela em mente
sem mover-se da atiu.


Vendo cae-las folhas desde o cima dos salgueiros
ao moredo taladram, cortam, remacham, cocem.
Todo dentro dumha cela de excel
na que colhe o universo infindo dos sonhos
Escariados a través do chao do cemento
onde jacem as jatas modernas.

Esta é a vida desde umha cela de excel
dumha ovelha entalada no rebanho na súa colmea.
This is the new Jesus
a nossa senhora de ferro
o velho mago panteísta reducido
enclaustrado e ailhado na cela do excel.
Todo suma, resta, multiplica, divide, contabiliza...
Este é o progresso, a ciência inteira.




poema doutro século ao tránsito cara a modernidade.

Um comentário:

O Garcia do Outeiro disse...

Tremendo, um dos melhores poemas dos últimos tempos no blogue pola sua profundidade e pola sua vocaçom rupturista.