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quarta-feira, dezembro 12, 2012

IMOS INDO, CHORANDO, ANDANDO

"Pero hoxe canto en libertá
e mentras canto
non estou isolado,
que o corazón vai comigo
e con il falo".
*************
"Pois que o que chora vive, iremos indo;
indo, chorando, andando,
(...)
E pois que cada tempo ten seu tempo, 
iste é o tempo de chorar".
 
Celso Emilio Ferreiro



As camelias perderom sua flor
e o manto de aurora, de rosáceos dedos,
a que formavam súas folhas
umha vez caídas
mais nom derrotadas, inda coloridas,
também.

O balcom acristalado
nom é sauna seca, reflexo do sol.
Som hoje os cristais autopistas
de gotas que escorregam,  quedando
congeladas a meio caminho
co aterecer do frío que gea também nas veas.

Há um Saint Eligio que pide por tabaco
no hall, á porta do loquero,
pra fazer bafaradas de sonhos
no fume das bocanadas.

Na estaçom ferroviaria
no arrabaldo do amencer
nom soa a música clásica
pela estrada de volta flanqueada
de nabos e mel á venda.

Canto em liberdade,
isolada já com a demasía
sem concordar com o Celso:
ou nom tenho coraçom
ou com el nom falo já.

E escribo por nom chorar,
e choro por nom falar,
e falo por nom calar,
e calo por outorgar,
e outorgo por viver
e vivo por nom morrer.














2 comentários:

Jorge CimadeVila disse...

Há que ter ánimo, pois sejam ou não tempos de chorar, forom ainda tempos piores quiçais de morrer naqueles em que o Celso escriviu ;)

Evinha disse...

Nom sei eu se concordar...Talvez daquela el soio sentiu os coraçons dos homes ser de pedra estando na cadeia, nom cando os tinha perto. Nós, neste mundo de tecla taquigráfica temos a inmediatez da comunicaçom (ás vezes mera transmissom de datos sem mais), mais nom a do sentir e sentimos que todo o que nos rodeia é umha cela de pedra (dura) sen estar nela...Mais as comparaçons son odiosas e ademais adoita ganhar o egoismo persoal...