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segunda-feira, abril 16, 2012

Abaneio triste dun regato probe


"Na soidade do mundo, só
un vaso ficaba: a caveira da vella tecedora,
que, agora aprendín, tecía cinza.
Díxenme adeus a min mesmo, e na nave
entrei. Requiem aeterna!... Chameilles irmás
ás areas e as cunchas baldeiras e rotas do areal.
Isto é a vida? Isto é un ano, un século, unha idade."
Alvaro Cunqueiro, 
Aquela que pousa o fío e maila roca.





Vim saír o sol pelo horizonte
as geladas de marçal acarinharom
minhas maos pequenas e delicadas.
Os olhos quixerom viajar
ir e vir pelos contubérnios
da comarca, península e continente;
Topar nas rúas das cidades
o que os tojos me negavam,
e colhim ás brazadas grelos
nos agros em oxford street...
mil e umha potas de caldo cozim
repartim com os outros o pam negado
ilusória fortuna do azar escrupuloso.
Tecim sábanas de seda bordadas
para noites sem altura coma esta
e apalpei crias melhores do que eu.
Para um segundo despois ceivei-las,
deixei-nas marchar sem seus laços
por ve-las saltar os balados de pedra e aramio
e rir a fartar com suas carreiras
e o voltar atopei de novo o horizonte...
Cima de Vila calada e séria,
Geladas menos suaves e ventos mareiros
habitaçoes que bruavam em linguagens subalternas.
Camas que renxiam coma se quixeram colher vida
em confussom de braços e de pernas,
Estava todo o deserto inçado para min
aguardando o que eu nao timha
nem ousara prometer máis alá das noites do patrom
embebedado pola chisca de licor café
que o laxe de Areias fazía para o passo do trem.
Mirei a ponte de ferro, ouvim ao rio, sentim a ribeira
tempo inteiro aguardando por min dizendo
o teu sonho rematará secando aquí.

3 comentários:

Antom Fente Parada disse...

Precioso este poema, nota-se que estas inspirado. Também gostei dele porque fala de muito ritmo dumha viagem interior desde Oxford Street até Cima de Vila, numa velha paróquia galega de Cangas... Afinal Oxford e Cangas semelham-se mais do que parece... Oxford guarda etimologia com bois (há topónimos semelhantes na Galiza estudados por Montero Santalha entre outros) e Cangas é também pré-romano fusionando-se na noite dos tempos estas duas culturas atlánticas do mundo celta. Hoje já ves, em Oxford os bois que ficam som bípedos e em Cangas já quase nem ficam dos de quatro nem dos de duas patas.

Heutor disse...

Incrédibol, tam a sair cousas muito boas dum tempo para esta parte

Antom Fente Parada disse...

Concordo com o Heutor. A beleza deste poema é sublime.