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terça-feira, abril 24, 2012

Iluminismos


"Os amigos soem considerar-se sinceiros; 
os inimigos realmente o som: 
por esta razom é um excelente conselho 
aproveitar todas as suas censuras 
pra conhecernos um pouco melhor a nós mesmos, 
é algo similar a quando se emprega 
umha amarga mencinha."
Arthur Schopenhauer 


As ruas aceneam-lh'angustia
Cara os laterais por tira-la'estrada
E fazem com as bágoas dum outro Deus
Umha balsa medussa para os temores
Que asolagam e lhe zinguem os olhos.

Quer voltar ser verde aquela
Seca e sólida folha sobre o fume
Em estado gassoso invisível.
As tercas primaveras a estrombalharom
Qual esterco numa leira sem semente.

As nuvens cruzam-se os nenos saltam
Dumha´utra sem saber que será do futuro,
Qué dos amores que perderam?
Das mãos que tocar  já não voltarão?
Trepidas babosas em curso do rio...

Gris das beira ruas, dos autocarros herdados,
Das placas metálicas tapando os buratos
Não das nuvens nem das pedras
Estrombalhadas polo caminho percorrido,
Nem polas ribeiras trabalhadas abnegávelmente.

Seic’onde vai você não se pode,
Tiram com arco as corças aos mortais,
Seus olhos não podem mirar:
Estatuas de sal prendem da raiz
Á ninhada da cegonha e do pardal.

Badaladas de manhá, de tarde, seram,
Anúncios que quitam umha vida
Que em nada a ninguém valeu
Valer valem palavras sem sentido
A quinta, a sexta hora da manhá.

Estoupam as luzes entregadas
Ao coração intrínseco do soldado
Ao fitar o cruceiro do sul
As costas do Montevideo
As pernas do desejo, os beiços da paixão.

Herdeiros dumha cruz pétrea
Portadores dumha faciana astelada
Trileiros de Portobello em Pantom.
Alumeadores do candil nas cortes
De Madrid.

Paraugas pechado polas ruas de Paris
Metro desartelhado caminho cara a cama
Onde falávamos galego na Boulogne
E rengiam as minhas cadeiras.

Oh Cima de Vila de ti não deixei nada
Levei-no todo sem saber que tarde
Ou cedo me faria falta.




2 comentários:

Evinha disse...

Parabéns pelos versos!
Quantos lugares encadeados a un só sentimento...
Mais a fortuna de ter un lugar raíz axuda a seguir o caminho: Oh Cima de Vila!

Na minha teima de dar-lhe a volta pra nom afundir digo(-te/-me):

"Podem beber nas mesmas augas
trepidas babosas en curso dum río
e belidos nenúfares que traian da cor o poderío.

Badaladas que soem anunciando um novo 25 de Abril.

E ao melhor, de súpeto,
a primavera peta na porta,
as luzes entregadas alumeam.
Os coraçoms de cores accidentalmente reloucam.

E dos cravos da cruz chegar á flor do craveiro.
As verbas han de colher o seu senso.
Com a palha nova faise palheiro!"

Jorge CimadeVila disse...

Caminharemos esses caminho
e sobre el alumearán também
as pegadas nossas.

Obrigado pelos teus desmembros! :D