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segunda-feira, junho 22, 2009

Nossa querida casa abandonada

-Na lingua está a arvore genealógica dumha naçom
Samuel Johnson




Estamos sós
neste casa em ruinas,
a terra treme e as pedras
ameaçam com chimpar
sobre as nossas testas
verbas doutro idioma,
o sonho eterno no seio de abraham.
Vinhemos a esta noite
a seguir caminho um pouco máis
com os pés marcados polas silvas.
Regueiros de sangue diram-che
o caminho que leva o nosso berce.
Nom renegamos da carne
senóm que o fazemos da peste,
da ingenuidade dos traquilos
e da fame dos traidores.
NÓS somos os que vinhemos
paseninho e com acento própio
a esta noite sempiterna sempre nossa.
Decididos a morrer ou a vivirmos
postergados na herencia dos nossos velhos.
Nós perdidos que nom vemos
que nom ouvimos nem cheiramos
a chamada do progresso,
nós conservadores dumha essencia.
Nós cans sem dono
dos vieiros desta longa noite de pedra,
desta pátria ferida que berra.


A língua é a minha pátria!

Um comentário:

O Garcia do Outeiro disse...

A língua galego-portuguesa é tamém a minha morada e os tempos serám chegados. Gostei muito deste poema, realmente bom.