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terça-feira, junho 23, 2009

Pau bulhado

Morrerei de inaniçom
mirando um pau bulhado
polas cabras da manhá cativa,
no inverno.

Os demáis nom me fitarám
sentado fronte aos bares,
esquecendo já a revoluçom
que nunca fijem.

As linhas já nom partiram
para que eu fuja ao refugio
do velho mastil que surca as olas,
por min, para que nom me desgaste.

Um corvo velho com ás serradas
pola brétema e o frío anunciando
que nom fum quem de proclamar
ás minhas ansias.

O nicho e o enterrador
estarám com os olhos abertos,
o lecho1 sonhará já cum novo enterro
para polbo e vinho, para feiras sucessivas.

Morrerei de inaniçom
por nom fita-las pegadas,
por nom saber delas,
por nom cuidar as arvres da cabra.

(1) Home da minha terra que recive umhas cadelas do cura por tocar as campás antes de cada enterro, tem umha discapacidade psiquica debido a umha meningite que lhe de neno e sempre che di aquelo de: Nom has morrer nunca. O seu mote deve-se a pergunta de: Como se chamam os fentos em castelhano? e el respostou: lechos ( em vez de elechos). Vaia umha lembraça garimossa para el aqui,o manolo das cabras, que tanto lhe gostam o polbo e o vinho nas feiras dos dias um e quince.

Um comentário:

O Garcia do Outeiro disse...

Bom este já cho comentara no teu blogue, mas sempre é agradável descobrir novos matizes a cada leitura, vejo que hoje tés um dia mui poético e inspirado. Umha aperta irmandinha e que os lechos desta terra nom ponha de novo a chaqueta do outro se nom querem ser chaqueteados polos mesmos que os fam seguir sendo lechos.