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sexta-feira, junho 25, 2010

Oda para os novos Deuses

No meio do despreço, senhor, nom imploro misericórdia
o ceio e a terra me bastam como gracia para ser um homem
pois mentres o vento corra e a auga baixe, com eles fluirei.

No meio da derrota, senhor, nom reclamo justiça, nom história,
que os meus pés pissam a herba e meu coraçom baila nas bágoas
asobalhadas dos que vinherom e dos que serám... Esquecidos.

No meio deste insidia, senhor, nom precisso justiça, nem adulaçons...
Soio o coraçom livre e a conciência sá para ser... livre
no meio da noite sem coidado nem segurança, sem medo.

Em quanto a terra é dos meus pés a cada intre
e o sol, a auga, as arbores, a música, a poesia
eu nom precisso de ti nada, senhor, nem nada pago.

Telepeagens cara ó inferno geneticamente adulterado
Microchips para sabermos que lhe digam quem somos
que comemos, bebemos... quem fodemos... com que papel...

Todo ordenado, todo gardado, nesta era do progresso, senhor,
Todo para ti, todo virgem, todo inmaculado e nada descoberto.
Permíte-me que sonhe sem cometer um sacrilegio.

Permíte-me que creia aínda em amuletos
que venere imagens com teias de ouro vestidas,
Permíte-me revestir-me de certeças que sexam herexias.

2 comentários:

O Garcia do Outeiro disse...

Grande composiçom esta, e mais grande ainda quando se partilham mais ou menos as mesmas certezas heréticas e os mesmos sentimentos de desabafo.

Diego Taboada disse...

A.... Mén.