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quinta-feira, outubro 08, 2009

Hípica de Vénus

Cavalo vermelho do trotar doce,
louco conselheiro de mocidade,
tímido e veloz corcel cándido;
acolhe na tua montura a minha vida
e leva-me por cima do Faro
até os confins da antiga Finisterrae,
onde aguardam os sonhos da minha amada
numha artesa liviá e dourada.

Permite-me, cavalo desbocado,
alcançar a pele celestial do meu anjo,
o colo terso, lene e tostado
dessa minha admirada mulher.
Acolhe nos teus braços este ginete
e tracejemos arredor da lua
círculos cántabros de amor
chuchamel, oxigénio, prazer
e um eterno desejo de volver
a passar os beiços pola tua
feminina e frágil silueta.

Em quantos nomes vives,
cavalinho da andadura encarnada?
Em quantas mulheres te vim?
Para nada. O cavalo do pensamento
corre polas areias do dia,
tu, cavalo do amor,
só me colhes em sonhos polas noites
e fico em silêncio, apeado,
durante o ardente reino de Apolo,
covarde, sem folgos, calado...
no meio do ar putrefacto.

domingo, outubro 04, 2009

Versos a vinte pesos o canado

Azul. Mar em diante.
Imenso, profundo, distante.
Azul. Concentraçom salina.
Vinte metros de sal em gramos.
Vinte pesos de amor a granel.
- Aqui no se vende al por menor.
- Perdoe o senhor.

Umha circunferência trepa as ondas
e a escuma fai fervenças nos teus seios,
gelo, gelo, gelo, nata e amorodos;
Martini bianco e carmim:
gaivotas de discoteca,
crocodilos com cornos,
copos, copos, copos
- Aqui no se vende al por menor.
- Very well fandango.

Os cabelos da praia mexem-se
ao som de bafos partilhados
e a húmida areia pressagia
umha dramática – estática – patética
alborada.
Pinha colada e carmim:
aqui nom passa nada,
gaivotas de discoteca,
copos, copos, copos.
- Aqui se piensa al por menor.
- Yes, of course.


quinta-feira, outubro 01, 2009

O imenso céu sobre a terra
deita pingas velozes
sobre as pedras e os homes.

Os homes habitam a Terra
e consome-na com voracidade
sem deixar pedra sobre pedra.

Home, pedra e terra:
pulvis est et in pulvis reverteris,
sonhos de imortalidade
afogados no esterco
das velozes asas do progresso.


terça-feira, setembro 29, 2009

Garabatos

Estacas com arume e pinhas
mexem-se na corda do vento
num invernal baile de salom vienês.
Pinheiros. Vara verde extrapolada
das montanhas aos bacelos,
fungueiros e estadulhos sempre vivos.
Guizos. Garabatos.
Verde. Verde esperança.
Corpo. Corpo cansado.
Cabeça. Cabeça quadrada.
E o que sinto, penso e creio
som, para a maioria, garabatos.
Bailemos um vals,
ou dous se som pequenos
e plantemos um pinheiro
nas hortas da tribo urbana
dos engravatados “pollitos bien”.
O leite, as vacas, as estrelas
os rios e o sol
os gandeiros e as leiras
para ti senhor.
Senhor banco benefactor,
senhor Estado espanhol dador de vida
centralismo todopoderoso
e com isto da movida,
re-movida
hai-che muito Pepé
yes-yes;
aqui nom passa nada,
a liga está ganada.
Baby Espanha
sayonara, sayonara!
Wellcome to Galiza
dumping, Prestige e mariuana.
Garabatos, garabatos,
muitos maragatos;
eucaliptos, eucaliptos,
muitos eucaliptos:
o sacho para os pobres,
os quartos para os ricos.

quinta-feira, setembro 17, 2009


Non me fagas
dormir soa
agora que me acostumei
á calor do teu corpo.
O teu arrecendo
segue nas miñas sabas
e nos meus sentidos.
Espero a túa chamada
na soidade
da que me fixeche escrava;
esa feliz dor
sempre presente ,
esa vertixe continua
e sosegada,
mal de namoramento.
Caín
mais deixa que sexa eu
a que me erga
soa
para cando ti
xa non esteas
ao meu carón.
Hoxe todos os recordos
caíron dende o balcón
do meu ático
esnaquizándose en anaquiños
e cravandose en todos os poros
do meu ser
formando xa, parte de min.
A miña música énchese de tristura,
de profundos sostidos
que me esnaquizan,
de tonalidades dilatadas
e cadenzas prolongadas, sostidas, rotas...

terça-feira, agosto 25, 2009

Contigo amar, nosoutros, xuntos




Sempre, co estigma dunha idea brillando na escuridade morna do solpor.
Mírame, confúndeme, son raigame do teu alento, sentencio o porvir a mesturarse cun fado.

Tomo as formas, contigo amar, no deserto, pasando indemne coa luz dun noutrora que virá, que virá de nós sentir, querer coa forza de nosoutros, xuntos.

Alberte Momán

sexta-feira, agosto 07, 2009

Egolatrías II

Unixénito:
Berras nas inguas miñas un tócame
Nunca fuxín de ti, luxuria doce.
Pérfida dor de libélulas tinxidas de negro nácar.
Preciso unha saída, unha amputación
á Salvaxe burla dos anxos calados
Eu: dacriocistectomía.

Pancreática dor dos convencionalismo firmes
Nunca etéreos como o meu maxín de ida e volta.
Escribín unha poética da dor
para marcar o camiño da miña redención.

....