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sexta-feira, outubro 09, 2009

Egolatrías III

Cando te vas enriba de min
o teu ronsel quente cálmame
a túa satisfacción faise miña
desgastada como unha árbore cansa de clorofila.
Puntas de satisfacción mesta en vírgulas de paixón
só provocada cando a masturbación é a dous.

Ceavoga:
Como un beatnik preso da súa propia regra:
ningunha.

Coas túas sacudidas soñei,
embriagada en horizontal

Perdida no desexo, por Nós cega.

ab ovo usque ad mala

"...Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra"
Carlos Drummond de Andrade


No silenço da noite um neno berra,
Pés espidos caminham pola raia branca
dumha estrada quase eterna.
Os meninhos choram e á alba
súas nais apertam-lhe a mao
com máis força.

Lobos que auleam e coelhos que bulem,
No meio do caminho há muitas pedras
e nós somos sem sabe-lo a primeira delas.
Pedras do caminho que moem
coma cabalos de Atila!
o ceo dos sonhos e a testimunha das feridas.
E somos eterna pedra no meio do caminho
sem sabe-lo prantando noite eterna
nos olhos e maos dos que sofrem e choram.

quinta-feira, outubro 08, 2009

Hípica de Vénus

Cavalo vermelho do trotar doce,
louco conselheiro de mocidade,
tímido e veloz corcel cándido;
acolhe na tua montura a minha vida
e leva-me por cima do Faro
até os confins da antiga Finisterrae,
onde aguardam os sonhos da minha amada
numha artesa liviá e dourada.

Permite-me, cavalo desbocado,
alcançar a pele celestial do meu anjo,
o colo terso, lene e tostado
dessa minha admirada mulher.
Acolhe nos teus braços este ginete
e tracejemos arredor da lua
círculos cántabros de amor
chuchamel, oxigénio, prazer
e um eterno desejo de volver
a passar os beiços pola tua
feminina e frágil silueta.

Em quantos nomes vives,
cavalinho da andadura encarnada?
Em quantas mulheres te vim?
Para nada. O cavalo do pensamento
corre polas areias do dia,
tu, cavalo do amor,
só me colhes em sonhos polas noites
e fico em silêncio, apeado,
durante o ardente reino de Apolo,
covarde, sem folgos, calado...
no meio do ar putrefacto.

domingo, outubro 04, 2009

Versos a vinte pesos o canado

Azul. Mar em diante.
Imenso, profundo, distante.
Azul. Concentraçom salina.
Vinte metros de sal em gramos.
Vinte pesos de amor a granel.
- Aqui no se vende al por menor.
- Perdoe o senhor.

Umha circunferência trepa as ondas
e a escuma fai fervenças nos teus seios,
gelo, gelo, gelo, nata e amorodos;
Martini bianco e carmim:
gaivotas de discoteca,
crocodilos com cornos,
copos, copos, copos
- Aqui no se vende al por menor.
- Very well fandango.

Os cabelos da praia mexem-se
ao som de bafos partilhados
e a húmida areia pressagia
umha dramática – estática – patética
alborada.
Pinha colada e carmim:
aqui nom passa nada,
gaivotas de discoteca,
copos, copos, copos.
- Aqui se piensa al por menor.
- Yes, of course.


quinta-feira, outubro 01, 2009

O imenso céu sobre a terra
deita pingas velozes
sobre as pedras e os homes.

Os homes habitam a Terra
e consome-na com voracidade
sem deixar pedra sobre pedra.

Home, pedra e terra:
pulvis est et in pulvis reverteris,
sonhos de imortalidade
afogados no esterco
das velozes asas do progresso.


terça-feira, setembro 29, 2009

Garabatos

Estacas com arume e pinhas
mexem-se na corda do vento
num invernal baile de salom vienês.
Pinheiros. Vara verde extrapolada
das montanhas aos bacelos,
fungueiros e estadulhos sempre vivos.
Guizos. Garabatos.
Verde. Verde esperança.
Corpo. Corpo cansado.
Cabeça. Cabeça quadrada.
E o que sinto, penso e creio
som, para a maioria, garabatos.
Bailemos um vals,
ou dous se som pequenos
e plantemos um pinheiro
nas hortas da tribo urbana
dos engravatados “pollitos bien”.
O leite, as vacas, as estrelas
os rios e o sol
os gandeiros e as leiras
para ti senhor.
Senhor banco benefactor,
senhor Estado espanhol dador de vida
centralismo todopoderoso
e com isto da movida,
re-movida
hai-che muito Pepé
yes-yes;
aqui nom passa nada,
a liga está ganada.
Baby Espanha
sayonara, sayonara!
Wellcome to Galiza
dumping, Prestige e mariuana.
Garabatos, garabatos,
muitos maragatos;
eucaliptos, eucaliptos,
muitos eucaliptos:
o sacho para os pobres,
os quartos para os ricos.

quinta-feira, setembro 17, 2009


Non me fagas
dormir soa
agora que me acostumei
á calor do teu corpo.
O teu arrecendo
segue nas miñas sabas
e nos meus sentidos.
Espero a túa chamada
na soidade
da que me fixeche escrava;
esa feliz dor
sempre presente ,
esa vertixe continua
e sosegada,
mal de namoramento.
Caín
mais deixa que sexa eu
a que me erga
soa
para cando ti
xa non esteas
ao meu carón.
Hoxe todos os recordos
caíron dende o balcón
do meu ático
esnaquizándose en anaquiños
e cravandose en todos os poros
do meu ser
formando xa, parte de min.
A miña música énchese de tristura,
de profundos sostidos
que me esnaquizan,
de tonalidades dilatadas
e cadenzas prolongadas, sostidas, rotas...