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quarta-feira, julho 16, 2014

quarta-feira, outubro 09, 2013

Trebón da vida

O tempo no que os outros calaban
era un de vagar tristeiro, ciumento
nos días escuros, chuviosos, de outubro.
Aquel tempo parecía o tempo do loito
de tres anos e medio das viúvas
que non podian ir á misa vestidas
coas flores todas da primavera.
A vida pasa e a lírica pode ser
tamén
trebón da vida.

domingo, agosto 18, 2013

ABC DA VIDA

Nunha malla, na praia, nun parque...
En calquera lugar no que as letras se fan VIDA.

Sabía o abecedario
da primeira á última letra,
grandes e minúsculas
con boa letra ou cacográfica.
Ensináranllo de cativa
e ela aprendeuno tan ben
que máis alá de só repetilo,
encarnárao. Letanía.

Rosario de letras o seu nome curto
-case que tanto inapreciábel-,
gravado numha cadeia dourada.

ABC da outra vida.

AMA destoutra.

O novo formato era ben distinto
aínda sendo o mesmo.
As letras corríanse en desorde
de tras pra diante e a saltos
na orde perfecta que ela lle saíse
en cada preciso momento.
Alfabeto crocante de vitalidade.

E con cunchas gravou no areal
a verba que estaba por riba das outras
contra vento e marea,
con sol e lúa: AMOR.
O adxacente "Á HUMANIDE"
non cumpría escribilo,
bastaba erguer a vista
e cruzar miradas cos ollos da ialma,
momento no que o abecedario
deixaba de ser letras sen máis
pra ser entón VIDA, LIBERDADE...
...AMOR de/a VERDADE.



terça-feira, julho 30, 2013

FAVA*


Vés de caminho
e passarás de ser fava diminuta
no universo matriz
a ser vara ergueita e bem chantada
seguindo as pegadas
dos que te ham colher da mam
pra trazer-te por este caminho
-umhas vezes alfombra de rosas,
outras silveiro de espinhas-
sendeiro caducifolio da existência.
Benvinda sejas, oh ti, criatura celeste
que chegas como umha bençom caida do céu.
E de ser este um salmo repetiriamos:
Benvinda sejas, oh ti, criatura celeste
que chegas como umha bençom caida do céu.

Orbazai, Sta. Marta do 2013.

*SOMOS FILHOS DA TERRA (1º desta série): FAVA

segunda-feira, julho 29, 2013

PORQUE SOMOS LIVRES/ESCRAVAS DE ALUCINAR...VIVA A BROA!


E talvez e sem eu sabelo
os efectos do "corneçuelo do centeo"
vinherom antes de eu probalo sequera...

...E a máis pura verdade era alucinógena
para quem nom queria vela.

Eu sem medo a nada,
disposta a todo
e abandeirada da liberdade mais absoluta
cortei um anaco de pam de broa
pra saborealo lentamente.

Mmmm, sabia-me
inda feito de umha semana atrás.
A punheta foi percatar-se de que tinha mofo
quando já o tinha na boca...
Amargou-me!

Mais ninguém me vai negar o formoso
que foi o processo de telo feito!
Viva a broa!

Porque somos livres/escravas de alucinar quando queiramos...soio que a perspectiva muda dependendo da beira dende a que miremos. Isso é o bonito e o jodido!





sábado, julho 27, 2013

LIBERDADE

E evito reproducir essas verbas
que cruçavam dumha beira a outra
pra que o poema nom leve nome
inda que a secçom de metais
me soe a festa,
música ao longe pola recta da Areosa
caminho de ida ou volta á casa, mesmamente.
Festa de verám
que podo evocar e ulir sem que tenha sido,
essas noites a trinta grados
e essas estrelas a arder no ceu,
cadro do horizonte pintado
com cheiro a herva seca á beira do caminho.

Maldito misticismo que cruçou verbas e olores remitentes
que nom levavam senom ao destinatário mundo.
Ilusa eu, ilusa estoutra
e aqueloutra dona de haikus paridos antes
de que o leite do leito derramara por riba súa.
Ilusas todas as que agora,
malia a dor que já foi,
erguemos a bandeira daquel pirata que Espronceda
pintou vento en popa.

I eu, que ás vezes quijera ser viajeira de trem
Alvia, saír voando esnaquiçada
e ficar na memória duns ferralhos
outras reconheço-me na sorte da vía paralela
e tenho vontade de cambiar os ríos
angostos e calmos de batuxos em desuso
polo ancho mar onde os piratas románticos
eram donos da sua marginalidade
na evassom da imensidade mais infinita:
o seu própio ser.

sábado, julho 06, 2013

LAVAR A GORJA E MAILOS RECORDOS

"Minha Santa Margarida
minha Margarida santa,
a auga da tua fonte
lavou-me a minha garganta"













Nom sei se Santa Margarida
é um parque ou um nome,
se polas ruas de algumha cidade
circulam carros ou recordos.

Como é posível ter tam mala memória
e tantos sentimentos evocadores
de recordos que nom som senom esta mesma?

Como é que se construem
as novas rutas
dumha mesma urbe
onde desfolhaches a flor da margarida?


domingo, junho 30, 2013

DESPETRIFICAR-SE EM S. PEDRO

Ás Santas Mulheres do Home Santo,
moitas e lindas

De querer morrer
seria só por querer
substituír a Sam Pedro
abrindo as portas do ceu.
Ou pelo aquel de ficar
enriba das nubens.

Namentres na terra...
O erotismo
vai da comisurados beiços
á punta dos dedos...fío musical.

Fío e enfío arriba e abaixo,
agulha que avança na costura
como querendo fazer ondas...
...e, já de paso, mares.
Ondas do mar embigo*,
se vistes meu amigo?
E ai Deus, se verrá cedo!

E namentres vai e vem,
em S. Pedro,
mulheres que se despetrificam
e gostam de rebautiçar-se
quando os acontecimentos
se voltam verbas póstumas.
Hoje quero ser a-Petr(e)a.


*O embigo além de egocentrismo, tambén puder ser concibido como "ónfalos", esse símbolo do centro cósmico, germolo do crepitar humano mais puro...sem igrejas nem rosários...

domingo, junho 23, 2013

POEMA TELÚRICO, SOMOS FILHOS DE NOVONEYRA

Aos iluminados: muitos, bos e generosos*


Confiemos en purificarmo-nos
na noite de Sam Joam
saltando a lumieira dos sonhos
e inda que desmaiados no salto
havemos chegar á outra beira
onde sempre ham esperar
uns olhos que miram,
umhas mans que se tendem.

E pecharemos os paraugas baixo a chuva
querendo que a iauga
esbare pel adiante,
-até a punta das dedas,
de cabo a rabo-
pra facérmonos sentir que inda somos
malia os trens descarrilados
e os metros desarticulados.
Porque as torres parisinas
tambén se erguem nas ribeiras
onde os regatos vam caminho de fazer-se rios,
nos caminhos onde os codesos
se fam alfombra floral,
nas noites nas que o lume se fai novo
e os homens um bocado máis velhos.


*E hoje deu-me pelo masculino genérico

N.B.: http://centros.edu.aytolacoruna.es/sfxabier/xoan.htm

quarta-feira, junho 19, 2013

VASTAE SOLITUDINES IN COETU

Soidade subira peldanhos
por riba daquela linha.
A coletividade era supraindividual.
Houbera um tempo
no que andava a ras de cham,
com a mirada baixa
e as costas encolhidas,
mas ver que o ceo de noite
tamén tinha luz com as estrelas
espertara-lhe a curiosidade de mirar cara arriba.

Soidade caminhava assim
por riba das nubens,
agora um bocado mais ergueita.
Os algodons fazíam de colchom mol
com o que alouminhar os rascunhos individuais
da colectividade musical, dancística e deportiva.
Soidade olhava o horiçonte a vista de pájaro,
vastos desertos,
e inda dende as alturas e acompanhada...
...nom deixava de chamar-se soidade.


COETUS:
https://www.youtube.com/watch?v=uQdAf1zcBeo






segunda-feira, junho 17, 2013

NEM BILINGÜISMO SEQUER


E as ovelhas vidas de Irlanda
nom falam gaélico
que ficarom mudas
mais figeron-se celtas
e os mocinhos e os já nom tanto
nados aquí na terra
inda com as mans enzoufadas nela
teimam por engordar o imperio
e fazer mais pequeno o sonho
dos que um dia mirarmos ao ceo
e vimos um deus pendurado dumha estrela:
LINGUA.



sábado, junho 15, 2013

Poema con banda sonora

Quizais Babel somos
dun xeito invertido
tirando ao noso inferno
xunto ao mar e o río.

Pacendo infames ventos
que deitan os nosos sonhos
que aloumiñam o noso peito.

E sen sabelo quizais
tecemos unha e outra vez
coitelos suicidas na pedra de afiar,
no padal dos bicos soñados
onde nos agarda o anceio
de unha cegura mellor...
máis branca, máis letal...

Onde nos agarda un corazón
que aínda desexa latir
e un suspiro que respirar
e unha palabra que non falar,
unha trompeta que oír,
uns ollos que ollar,
unha copa que beber.

Quizáis Babel nós sexamos
Quizáis Babel sexa quen nos soñe
Quizais Babel aínda nos espera
a ti e a min, sen saber,
compañeiro poeta e redentor
dos amores perdidos e por perder
sen sabermos... Queda tanto aínda
ainda tanto queda por falar.
Tanto por bicarnos e é...
que eles non comprenden...
Nin ninguén pode comprendernos.


sexta-feira, junho 14, 2013

ILUMINADA ME SINTO

Ás estrelas que me alumeam na noite

A bóveda celeste,
grande abondo pra acolher-nos
a todas baixo o seu arco.
Fazer que os momentos tenham nome própio
-Pegaso, Casiopea, Andrómeda-
e que as estrelas sejam infinitas,
que o azul seja ceo despejado
e noite estrelada que se sobrepóm á negrura.

Catasteriçaçom
das que caminham cos pés no cham a diario
quasi que descalças
pra poder incluso sentir melhor
a terra da que estamos feitas.
Essas sim que som estrelas!


terça-feira, junho 11, 2013

DE PASEIO POR VILAR

Colhes pra mao
as flores da chorima
e sinte-las inda húmidas
-sol tímido que vém secando atrás a choiva-
e botando-as ao ar
pensas em ir semeando o caminho de cores.
Purificalo
como outrora fazías quando lavavas a cara
com rosas na manhá de Sam Joám.

domingo, junho 02, 2013

OH CIDADE

Dentro de ti oh cidade
o povo e quem mais ordena
terra da fraternidade...


Umha volta pelo meio
outra pelo arredore
e descubrím umha nova cidade
sem saír da que xa conhecía.

Podo paseiar tendo de fondo
as casas xuntinhas e coloridas
da porta do Porto belido
soio com fechar os olhos.

Com eles bem abertos
e se subo á muralha
tamén as descubro
no Lugo dos meus quereres.

Soio o repenicar da campá
me lembra onde estou.
E, igualmente, a onde quero ir.

(DES)SACRALIZAR


Dá-me uma pinguinha d'agua.
Para mollar a garganta.
Quero cantar como a rola.
Como a rola ninguém canta.


Cando serán as igrexas do pobo,
volta ás raíces coas que foran construídas
conformando a casa petrucial,
pedra da fraternidade,
sen relixión que o predique
nen evanxeos que nos salven?

Para abrigarnos do frío
temos pano ou monteira por bandeira,
para apagar a escuridade da tristeza
foles cheos e coros de rolas.

Esa será a salvación do noso corpo
mentres nos toque aturuxar na terra.


02/06/2013 no concerto de primavera do coro de Cántigas e Frores na Igrexa de S. Pedro en Lugo.




quinta-feira, maio 30, 2013

A PRAIA DOS SONHOS

Torna a vir na candidez dos sonhos
aquel verao em Reinante
no que quixem medir
as ondas com metrónomo,
areia pela que caminhar a ritmo
entoando a brisa marinha.

Ritmos que voltam agromar,
areias movediças que som meus pés
na intençom de recuperar
aquelas claves umha e outra vez solfejadas
e atopar nelas o caminho que vai á praia
das maiúsculas,
essa onde deitar-nos núas embaixo o sol
sob a mais pura luminosidade.


quarta-feira, maio 29, 2013

QUE AS VERBAS SEJAM PO

Ás vezes
sinto como se me descose
a pel
e saem pra fóra
tudas as verbas que levo
enquistadas
corpo adiante.

Limpeça de feridas infectadas
em intento de que a postela
se faga cicatriz,
visíbel soio
ao ato máis puro,
esse que é quasi pela súa sombra
nom já pela súa forma.

Mais doen-me as verbas.
E laio-me dos silenços
que me desintegram:
esquelete que se desfai
ao ser destapado
no própio cadaleito
levado dumha ráfaga de aire fino
facendo-se
ráfaga de po do que vai e vém.
Po que somos e do que fomos.
E que outra cousa imos ser senóm?




segunda-feira, maio 27, 2013

POVO NOM EDUCADO


Há momentos
nos que os tojos nom doem
quando admiras o amarelo da sua flor
que fai paisagem
aledando os sentidos todos monte arriba.
Vegetaçom a eito e bem variada...


Há outros, porém,
nos que as espinhas se cravam,
-agulha que doe ao extraer o sangue
dos que tenhem a bem doalo-
mentres pensas que
nom é que o povo nom tenha memória,
senóm que vive, mais bem,
ausente de educaçom
-talvez por ende de memória...-
Onde ficou esquecido o comunismo
maila humildade que nos fai grandes?

Que Morfeo pechou seus olhos
pra deixalos mudos de escoita?


N.B.: Caeu a noite e pouco tardei en retractar-me das minhas verbas...
Títeres somos do sol mais da lúa. Isso sim, o otimismo segue intacto!

domingo, maio 26, 2013

SOMOS SEMENTE DE VENCER

A Joám Jesus Gonçales e
Moncho Reboiras in memoriam.
A vós por  honrar a memória da súa estirpe.
Aramos dia a dia novos regos
pra erguer-nos
daqueles outros pelos que outros rodarom.
Ha de nos salvar a (nossa) terra e cumpre-nos nela foçar,
sachar nela o que um dia nos roubarom!
Colhe o sacho e espeta-lho na cabeça!

Nom facelo seria esquecer a nossa memória
e os regos de sangue
que figerom correr as balas disparadas.

Dende Catoira a Cuntis vós,
afoutada sementeira nova
daqueles que forom segados antes tempo.
Reloce o vosso olhar cal luceiros do ceo
com a firmeça de ser mulheres e galegas,
fazendo estrela vermelha
aquelas balas que forom sangue.


N.B.: Os fascistas segarom-lhe a  vida ao Joám Jesus em Novembro do 1936 e décadas máis tarde, em Agosto do 1975 matarom também a Moncho Reboiras dum disparo na caluga . Tania Mesejo, Cristina Campanha e muitas outras galegas coma elas erguem o punho, com o seu gesto diario, para dizer: Basta!