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sábado, março 24, 2012

In crescendo


Sobre a beira da estrada
Hai umhas herbas a prender
Unhos coios as arrodean
E baixo elas finíssima area
Non de praia nen de mar
Case nen de regato pequeno.

Patalexa entre todo este diverso
Unha formiga dessas de cú roxo
E poutas de tesoura.
Grandes insectos crem que pequena
Jantar ou cea divisan, anhelam.
Hai cando a formiga erga suas antenas. 

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

A estaca-vara


I.
Era noite, o caminho estava espúreo
Quiçais a noite era limpa e clara,
Geladas ardentes sem pausa a secavam.

II.
Berros fondos chegavam ao silenço
Mas os ouvidos não ouviam nada
Berros fondos a golpes o afogavam.

III.
Era um ser sem ser. Esencia emser.
E ao fim chegou, escuro, com estar estava
Na limpa e clara, dês-cafeinada,
No brilho matinal da madrugada
Na hora dos toupos e a auga.
Estava ali, de pé, já nom sonhava
Com poesia, palavras, ânsia.
Era dono do seu destino,
O patrón da súa barca...
Tinha na súa mão umha estaca
Tinha no peto umha bala 
Tinha inferno, tinha odio.
Mirava mirava mirava...
Já nom tinha, nada.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Palavras de Pandora


Barqueiro,
Ves a min esta noite
Tocas meu coração
Fas trabalhar minha cabeça
Coma quem visita
Musas do olimpo ou
Deuses inmortais na memória colectiva.

Meu barqueiro,
Ti sempre soio
Neste nosso mar
Que é da terra,
Que é o da nossa olhada
Desde o Faro a Corcubiom,
De Cima de Vila deica Viveiro.
Irmão barqueiro, irmão do mar.
Ti sempre remando neste nosso pranto
Sangue do nosso sangue.
Pam do nosso pam.

Meu irmão Barqueiro,
Na tua noite vou na minha
E miro, cruzeiros do sul,
Num velho desterro.
Levarom a consciência
Mas fica ainda, enterra, a raiz da cepa.

Rema barqueirinho, rema,
Que fica ainda neste noite moito mar.
Vai-lhe dando meu amigo, leva-nos,
Nós não veremos dia
Mas nós faremo-lo chegar.

Nas beiras de Babilonia


"Rema barqueirinho rema
por a beira da marola.
Rema barqueirinho rema, 
bota-me deste mar fora..."
Antonio Amigo 
(Compositor e Canteiro Galego, 
esqueceido na eterna noite da historia)

Na lagoa de Vilauge, Chantada, na Galiza Mágica



Á pátria sacrificada no altar abnegação

Polo meio dos caminhos recorro
um mar que leva ao fondo dun encontro.
A história esquesce os bos,
Niguém lembra aos generosos.
Desde o Outeiro deica Vilameá,
Desde a Paredinha a Vilar
Vai um barqueirinho a remar...
E com ele vou eu polo mar,
mentres em cas debaixo
nom fica ninguem para cantar.
Ao berro fondo dos curutos
quixerom fazer calar
mas queda aínda um barqueirinho
que aínda está a remar.